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Calculadora · terraplenagem e lavra

Calculadora de fator de empolamento

Por Luiz Carvalho · atualizado em 2026-09-17

Bloco de rocha compacto ao lado da mesma rocha fragmentada, ocupando volume visivelmente maior

Fator de empolamento é a razão entre o volume que um material ocupa depois de escavado e o volume que ele ocupava no corte. Toda rocha e todo solo aumentam de volume ao serem desmontados, porque a escavação introduz vazios entre os fragmentos.

Nada do que você digita sai do seu navegador: o cálculo roda na própria página, sem envio de dados.

Como o cálculo é feito

A conta é direta:

Volume solto = volume in situ × fator de empolamento

Um fator de 1,45 significa que 1.000 m³ medidos no corte viram 1.450 m³ depois de desmontados — um acréscimo de 45%.

O caminho inverso, que aparece quando se parte do volume transportado para estimar o que saiu do maciço, usa o fator de conversão (ou fator de redução), que é o inverso:

Volume in situ = volume solto ÷ fator de empolamento

Os três estados do volume

A confusão entre eles é a origem de quase todo erro de medição em terraplenagem e lavra:

EstadoO que éOnde se mede
In situ (no corte)O material como está no maciço, antes de desmontadoLevantamento topográfico do corte
Solto (empolado)Depois de escavado, com vazios entre fragmentosCaçamba, caminhão, pilha
CompactadoDepois de lançado e compactado em aterroAterro acabado

O volume compactado pode ser menor que o in situ, porque a compactação reduz o índice de vazios original. Por isso o material "some" entre o corte e o aterro: não sumiu — mudou de estado três vezes.

Medição de produção feita em caçamba está em volume solto. Medição feita por levantamento topográfico do corte está em volume in situ. Comparar as duas sem aplicar o fator produz divergência sistemática — e é a causa mais comum de discussão entre medição de contrato e controle de produção.

Onde o empolamento muda o orçamento

Limites do cálculo

Três coisas que este cálculo não diz:

  1. Não estima o fator. O fator depende da litologia, do grau de alteração, da umidade e do resultado do desmonte — uma detonação bem executada produz fragmentação diferente de uma mal executada, no mesmo material. O valor confiável é o medido na sua operação.
  2. Não considera compactação. Para aterro, é preciso o fator de compactação, que é outro número.
  3. Não é constante ao longo do avanço. Rocha alterada próxima à superfície e rocha sã em profundidade empolam de forma diferente. O fator do decapeamento raramente é o mesmo do minério.

Fatores tabelados pelo DNIT

O Manual de Implantação Básica de Rodovia do DNIT traz, na Tabela 16, os fatores de empolamento por tipo de solo. É fonte oficial, pública e verificável — e por isso é a que citamos.

Tipo de soloEmpolamento fFator multiplicadorγ₁ do DNIT
Solos argilosos40%1,400,71
Terra comum seca (argilo-siltosos com areia)25%1,250,80
Terra comum úmida25%1,250,80
Solo arenoso seco12%1,120,89

A regra geral que o manual enuncia: quanto maior a porcentagem de finos — argila e silte — maior o empolamento. Solos arenosos, com pouco fino, empolam pouco.

A armadilha: "fator de empolamento" tem duas convenções opostas

Repare nas duas últimas colunas da tabela. Elas descrevem o mesmo material e uma é o inverso da outra.

O DNIT chama de fator de empolamento a grandeza γ₁, que é menor que 1, e a usa assim:

V<sub>natural</sub> = γ₁ × V<sub>solto</sub>

Ou seja: parte-se do volume solto para chegar ao volume de corte. Já o uso corrente em obra — e o que esta página e a calculadora adotam — é o multiplicador, que é maior que 1:

V<sub>solto</sub> = fator × V<sub>in situ</sub>

Um é o recíproco do outro: multiplicador = 1 ÷ γ₁. Para solo argiloso, 1 ÷ 0,71 = 1,40.

Por que isso importa: quem lê "fator de empolamento 0,71" num relatório e aplica esse número como multiplicador num volume de corte encontra metade do volume solto real. Num dimensionamento de frota, é a diferença entre a operação fechar e a operação parar. Sempre confira qual das duas convenções o documento está usando — e, se o documento não disser, o sinal é o próprio número: abaixo de 1 é γ₁, acima de 1 é multiplicador.

O que a tabela do DNIT não cobre: rocha

A Tabela 16 é de solos. Ela não traz valor para rocha detonada — que é justamente o caso mais frequente em mineração.

Não preenchemos essa lacuna com número de outra origem. Circulam amplamente valores de 50% para rocha detonada, atribuídos a bibliografia de terraplenagem, mas não consultamos a fonte primária e não publicamos número que não conferimos.

Para rocha, portanto, o caminho é o que a calculadora já pede: o fator medido na sua operação. E há uma razão técnica para isso ir além da falta de fonte — em rocha, o empolamento depende do resultado da fragmentação, e duas detonações no mesmo maciço, com planos de fogo diferentes, produzem empolamentos diferentes. Valor tabelado para rocha seria menos confiável que para solo, mesmo existindo.

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Fontes

  1. NR-22, itens 22.4.1.2.1 "g" e 22.13.2
    Cobre: a obrigação de considerar no PGR a estabilidade dos maciços construídos, incluindo pilhas que recebem material empolado · Não cobre: fatores de empolamento e critérios de medição de volume, que não são objeto da norma
  2. DNIT — Manual de Implantação Básica de Rodovia, 3ª edição (2010), publicação IPR-742, Tabela 16 "Fatores de empolamento e expansão", p. 243
    Cobre: os fatores de empolamento por tipo de solo e a definição da grandeza γ₁ · Não cobre: rocha detonada, que não consta da tabela, nem material de mineração em geral — o manual é de obra rodoviária

Texto normativo conferido em 2026-09-18.